A mulher obsessiva
Tudo começou com um erro de ortografia.
Este texto é a Segunda Parte do texto que você pode ler se clicar aqui.
Trata-se de uma pequena sequência de exposições que eu faço do comportamento da mulher diante de um interesse pessoal que ela precisa cultivar ao longo da vida. Essa questão se levanta porque vejo muitas vezes mulheres se questionando a respeito do que aprender, estudar, realizar. É a minha forma de contribuir com a questão, não esgotá-la.
Um problema de etimologia ou grafia?
No meu texto sobre a necessidade latente da mulher de fixar-se em um objeto, acabei por cometer um erro: escrever obcessão ao invés de obsessão. Não sei se o motivo foi apenas a minha burrice, ou uma intervenção divina na minha proposição anterior. Fato é que comecei a me lembrar disso, desse pequeno deslize, ao longo do dia - e do risco que corri de ser pega no flagra pela polícia da Norma Culta.
Então fui ao pais dos burros, o Dr. Google, que prontamente me recomendou um artigo que respondeu à minha indagação:
OBCECADO - provém do latim obcaecare, cegar, não deixar ver, cobrir com terra, paralisar, tornar obscuro, ininteligível.
OBSESSÃO - provém do latim obsessione – mas… Arrá. Possui uma acepção bem concreta e provavelmente bem comum aos romanos, que adoravam construir estradas. A saber: ato de cercar, assédio, cerco, bloqueio, ocupação de uma estrada.
O significado evolui para importunar, vezar alguém, estar atormentado [por demônios ou alguma ideia].
OBSESSIVO - adjetivo de quem está cercado, bloqueado, sitiado, invadido.
Embora sejam tidas como sinônimos, a própria grafia entrega que essas palavras - embora traídas pela homofonia - são bem pouco irmãs em sua origem. Então, estar obcecado não significa necesseariamente estar obsessivo com algo, assim como ter uma obsessão não significa estar cego (obcecado). No texto anterior, usei o adjetivo “obcecado”, mas pelo ímpeto da não correção, acabou que eu fui imprecisa sem querer. A mulher precisa ter sua obsessão por um assunto ao mesmo tempo que continua a sua investigação livremente, dentro do cerceamento que ela mesmo fez.
O Obsessivo não está cego, preso ou insistindo no erro - isto é o obcecado quem faz. A mulher, quando obsessiva por um assunto, ideia ou coisa, quer dominá-lo, logo, conhecer seus limites e questões, quer explorar. Ela não o faz para brigar, vender ou ser vista – isso pode ou não fazer parte de seu caminho; para ela não importa. Ela deseja, à sua maneira, dos estudiosos, discorrer sobre aquilo do qual seu coração transoborda. E o faz por sua arte, por suas ideias, por seu próprio modo de vida – é assim que adquire sua sabedoria das coisas visíveis e intui as invisíveis.
“De todas as coisas guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida.”
(Provérbios 4, 23)
A mulher obsessiva, que tem sitiado um lugar onde possa deixar correr seus pensamentos é, portanto, livre. Ela possui um terreno no qual irá trabalhar em suas horas livres, que a fará refletir e às vezes até deixar que algum visitante o veja. Mas, a título de curiosidade, por que iria esta mulher se tornar obsessiva? Porque o que ela deseja é União. Consigo, com a Verdade, com Deus, com o Desconhecido.
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Obrigada por me ler. Este texto vai ficando por aí.
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Esse ensaio (?) dá muito pano para manga. O assunto é delicioso de ser abordado. Excelente texto.
Perfeito! Nunca li algo sobre isso antes.